quinta-feira, 11 de outubro de 2018

O Dia Nacional do Choro foi comemorado nesta segunda-feira (23), no Rio, com diversas apresentações musicais gratuitas para os moradores e turistas que visitam a cidade. As apresentações de diferentes grupos de choro ocorrem em praças espalhadas pela cidade, no centro e nos bairros da Tijuca e de Olaria.


A arte de Pixinguinha chegou também aos meios de transporte: de manhã, os beneficiados foram os passageiros que faziam a travessia de barca entre o centro e a Ilha de Paquetá. À tarde, pouco após as 13h, usuários do VLT (veículo leve sobre trilhos) que iam da rodoviária até a Praça Tiradentes acompanharam a apresentação do conjunto Os Matutos, criado há cerca de 16 anos por moradores de Cordeiro (RJ).

Alguns músicos do grupo estudaram na Escola Portátil de Música, sediada na Urca, e hoje são professores na instituição. "O choro surgiu no Rio de Janeiro, e é a música mais tradicional brasileira. Mas nós temos muita dificuldade em encontrar lugar para tocar. Existe um movimento grande de pessoas tentando criar novas oportunidades. Em um dia desses, pessoas que não estão acostumadas a ouvir choro podem ouvir e desenvolver o interesse, ou voltar a se interessar, porque tem muita gente que deixou de ouvir porque não toca em rádio e não está na mídia", disse o flautista Tadeu Santinho.

A programação mais extensa é a do palco montado na Praça Tiradentes, no centro da cidade, onde os shows tiveram início às 14h. A última apresentação está prevista para as 18h30. Pessoas de diversas gerações compõem a público e elogiam a iniciativa. "É uma cultura musical muito rica. E ouvir choro em praça pública é maravilhoso", disse a psicóloga Alessandra Oliveira.

O Dia Nacional do Choro, comemorado em 23 de abril, é uma homenagem ao compositor Pixinguinha, um dos maiores expoentes do gênero, que estaria completando hoje 121 anos. A data foi instituída por meio de lei federal sancionada em 2000. No estado do Rio de Janeiro, a data se mistura ao feriado de Dia de São Jorge.

A programação incluiu ainda a exibição do filme Choro Carioca – Música do Brasil, dirigido por Zeca Ferreira, de manhã, na Casa do Choro, instituição parceira da prefeitura na organização dos eventos. Criada em 1999, a Casa do Choro dedica-se à educação musical, preservação e divulgação do ritmo.

"A marca do choro é a sofisticação. Uma música popular tão sofisticada, com tanta riqueza melódica, rítmica, harmônica, e que dá margem há muito improviso. Um improviso diferenciado, completamente brasileiro", disse a diretora-presidente do Clube do Choro, Luciana Rabello.

Os Matutos levam arte de Pixinguinha ao VLT, no Rio (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Segundo Luciana, além de prestar homenagem a Pinxinguinha, os shows deste ano também destacam o centenário de mais dois grandes nomes do choro: Jacob do Bandolim e Dino 7 Cordas. "O choro tem mais de 150 anos, mas é uma música tão antiga quanto atual. Tem muita gente nova tocando, o que garante sua sobrevivência por pelo menos mais 150 anos", acrescentou a presidente da agremiação.

De acordo com a secretária municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira, o objetivo da ação, que ocorre pelo segundo ano consecutivo, é proporcionar a ocupação dos espaços públicos e reforçar a data. Nilcemar ressaltou que o choro é patrimônio cultural do município: "por ser genuinamente carioca, precisamos cada vez mais potencializar o choro, que precisa ser mais conhecido e espalhado por toda a cidade. E o Rio de Janeiro tem essa vocação natural para eventos abertos ao público."

*Colaborou Joana Moscatelli, repórter da Rádio Nacional do Rio de Janeiro

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