O governo e seus parceiros econômicos


             
 O governo depara agora com a difícil decisão entre cortar despesas ou aumentar impostos para equilibrar as finanças públicas. As duas alternativas são impopulares e tendem a provocar reações dos que forem chamados a contribuir para o acerto do caixa. A aplicação de mais impostos aos combustíveis serviu de amostra da repulsa à elevação de tributos. Na outra ponta, os estudos que prevêem transferir de 2018 para 2019 o próximo reajuste salarial do funcionalismo, para proporcionar ao Tesouro uma
economia de R$ 9 bilhões, também começam a mostrar a face carrancuda da questão. Lideranças da classe prometem protestos e paralisações. Algo muito fácil para se mobilizar, especialmente quando juízes e procuradores – classes que mais ganham – se batem por reajuste da ordem de 16% em seus salários.
               Logo depois de assumir, o presidente Michel Temer promoveu dispensas mas também fez muitas nomeações. Até porque governa sob o mesmo sistema de coalizão que se pratica há três décadas e trouxe o país à bancarrota. O governo é refém do parlamento e se não oferecer emprego para os indicados dos deputados e senadores, não conta com seus votos para a aprovação dos seus projetos. Se pudesse se livrar de todos os nomeados sem concurso, já seria uma grande economia, mas isso é impossível nas atuais condições.
               Temer e o ministro Henrique Meirelles têm dito que é preciso arrecadar mais ou manter o governo emprestando dinheiro, o que traria de volta a inflação. Deveriam dizer, também, que não foi esse governo que contratou as dívidas que hoje sufocam o país e o tornam ingovernável. São contratações ocorridas ao longo das décadas e que, para fazê-las, os governos de então tiveram o aval do Congresso Nacional pois, do contrário, seriam pedaladas e isso teria provocado até o impeachment, como ocorreu com Dilma Rousseff. E que, em vez de criar dificuldades, as diferentes correntes políticas (especialmente aquelas que já foram da situação) deveriam somar esforços com o Executivo em busca da melhor solução.
               O país e sua governança têm de ser compreendidos como um conjunto de sucessões. O presidente, os parlamentares e até os partidos políticos de hoje não são fisicamente os mesmos de ontem, mas se constituem nos seus sucessores legais, ideológicos ou morais. Não há como fazer cara de paisagem e atribuir apenas ao presidente e seu núcleo próximo a tarefa de reconstrução. A obra é dever de todos, ou então, não se concretizará...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 

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